[Sexta-feira, Março 27, 2009]


♪ Ivy - Edge Of The Ocean ♫





"Quantos nos enganamos! Aquilo que se perdeu, aquilo que se deveria ter querido, aquilo que se obteve e satisfez por erro, o que amamos e perdemos e, depois de perder, vimos, amando por tê-lo perdido, que o não havíamos amado; o que julgávamos que pensávamos quando sentíamos; o que era uma memória e criamos que era uma emoção"
F. P.











Perdi-me numa utopia
que me roubou os sonhos.
E agora ao me encontrar
enterro-a sob o concreto
deixo-te aí
sem piedade
morta!
Levo minhas aspirações
sou dona de mim.
Ponto final.











[Tudo que acredito, tudo que quero, não se resume ao que vivo agora. Procuro palavras, procuro sonhos, um resquício de motivo, uma gota de água perdida no deserto. Não me sobrou nada. Nada. Nada a dizer. Pois o que acredito já não é mais o mesmo. Perdi-me no dia que escrevi palavras doces, com sentimentos acelerados e vibrantes. Esqueci-me o motivo, a sensação de o tê-lo escrito. E agora, caminharei pelas estradas da realidade, sem correr o risco de me aventurar em fantasias. O que é conveniente está longe de ser o melhor. Os meus desejos não são mais regidos por princípios universais. Serão apenas os meus...]






"O meu passado é tudo quanto não consegui ser"
F. P.







Postado por Su às 10:09 AM

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[Segunda-feira, Março 16, 2009]

♪ Ao som de 'Colbie Caillat - Midnight Bottle' ♫




"Assim como lavamos o corpo
deveríamos lavar o destino,
mudar de vida como mudamos de roupa;
não para salvar a vida,
mas por aquele respeito alheio
por nós mesmos"
By: Fernando Pessoa

















Vou dormir esta noite,
cobrir os olhos
e os pensamentos.
Fechar as cortinas
e as portas da alma.












Quero dormir calada, fechar o corpo sem protestar, cobrir-me de acônchego e sussurrar em silêncio, rasgar os papéis amargos e depois queimá-los, tranformar em cinzas o lixo que habitava sob o meu teto.
No amanhecer, quero acordar desconhecida, com folhas em branco à espera e uma caneta de cor azul intensa, uma emoção espontãnea e um olhar de surpresa perante à janela.
Quem sou eu?
Eu sou Nova, me chamo Recomeço, sinto leveza e estou muito bem, obrigada!
Começa-se uma nova vida!







"E há muito em que o apagado e o mesmo da vida não é uma forma de a quererem, ou uma natural conformação com o não tê-la querido, mas um apagamento da inteligência de si mesmos, uma ironia automática do conhecimento"
By: Fernando Pessoa







***




Gestalt em poesia de Fernando Pessoa



De repente, como se um destino médico me houvesse operado de uma cegueira antiga com grandes resultados súbitos, ergo a cabeça, da minha vida anônima, para o conhecimento claro de como existo. E vejo que tudo quanto tenho feito, tudo quanto tenho pensado, tudo quanto tenho sido, é uma espécie de engano e de loucura. Estranho quanto fui e que vejo que afinal não sou.

Olho, como numa extensão ao sol que rompe nuvens; e noto, com um pasmo metafísico, como todos os meus gestos mais certos, as minhas déias mais claras, e os meus propósitos mais lógicos, não foram, afinal, mais que bebedeira nata, loucura natural, grande desconhecimento. Nem sequer representei. Representaram-me. Fui, não o ator, mas os gestos dele. Tudo quanto tenho feito, pensado, sido, é uma soma de subordinações, ou a um ente falso que julguei meu, por que agi dele para fora, ou de um peso de circunstâncias que supus ser o ar que respirava. Sou, neste momento de ver, um solitário súbito, que se reconhece desterrado onde se encontrou sempre cidadão. No mais íntimo do que pensei não fui eu. Vem-me, então, um terror sarcástico da vida, um desalento que passa os limites da minha individualidade consciente. Sei que fui erro e descaminho, que nunca vivi, que existi somente porque enchi tempo com consciência e pensamento. E a minha sensação de mim é a de quem acorda depois de um sono cheio de sonhos reais, ou a de quem é liberto, por um terremoto, da luz pouca do cárcere a que se habituara. Pesa-me, realmente me pesa, como uma condenação a conhecer, esta noção repentina da minha individualidade verdadeira, dessa que andou sempre viajando sonolentamente entre o que sente e o que vê. É tão difícil descrever o que se sente quando se sente que realmente se existe, e que a alma é uma entidade real, que não sei quais são as palavras humanas com que possa defini-lo. Não sei se estou com febre, como sinto, se deixei de ter a febre de ser dormidor da vida. Sim, repito, sou como um viajante que de repente se encontre numa vila estranha sem saber como ali chegou; e ocorrem-me esses casos dos que perdem a memória, e são outros durante muito tempo. Fui outro durante muito tempo - desde a nascença e a consciência -, e acordo agora no meio da ponte, debruçado sobre o rio, e sabendo que existo mais firmemente do que fui até aqui. Mas a cidade é-me incógnita, as ruas novas, e o mal sem cura. Espero, pois, debruçado sobre a ponte, que me passe a verdade, e eu me restabeleça nulo e fictício, inteligente e natural. Foi um momento, e já passou. Já vejo os móveis que me cercam, os desenhos do papel velho das paredes, o sol pelas vidraças poeirentas. Vi a verdade um momento. Fui um momento, com consciência, o que os grandes homens são com a vida. Recordo-lhes os atos e as palavras, e não sei se não foram também tentados vencedoramente pelo Demônio da Realidade. Não saber de si é viver. Saber mal de si é pensar. Saber de si, de repente, como neste momento lustral, é ter subitamente a noção da mónada íntima, da palavra mágica da alma. Mas essa luz súbita cresta tudo, consume tudo. Deixa-nos nus até de nós. Foi só um momento, e vi-me.





***










[...Só se ama alguém pelo que ela é... e não pelo que desejamos que ela seja...]




Postado por Su às 8:36 AM

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[Terça-feira, Março 10, 2009]

♪ Ao som de 'Alanis Morissette - Hands Clean' ♫








"Não julgues que alguém
viveu por muito tempo
por causa das suas rugas
e cabelos brancos,
ele não viveu muito,
apenas existiu por muito tempo"


By: Sêneca















Exagero, sim eu exagero!
Pois o nada
e o pouco
não me bastam!










Assisto em silêncio
através do véu da minha mente...
Os dias se esmerando na esquina do tempo.
O calar das horas a se misturar com a solidão.
A sombra nos meus olhos me tirando a paixão.
A pobre poetisa triste rabiscando as paredes da casa, contando os seus dias em preto em branco.
O perfume da alma de uma mulher se perdendo em meio as flores mortas.
E as águas escuras do rio levando embora as folhas secas deixadas pelos rastros em branco dos meus passos solitários.












"Não existe ontem, nem amanhã.
As lembranças do passado,
as preocupações com o futuro
só causam inquietação.
O caminho para a serenidade
está em observar o presente
e deixar que flutue
pelo rio de nossa consciência"








Postado por Su às 8:54 AM

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[Segunda-feira, Março 09, 2009]


♪ Ao som de 'Sia - Breathe Me' ♫






"Passo tempos, passo silêncios, mundos sem forma passam por mim"
By: Fernando Pessoa













Um lado de mim
clama
suplica
pela intensidade
de um momento.










É um longo intervalo este momento.
Intervalo por ter-me dado pausa e longo por ser doloroso, já que quando se dói, até um segundo se torna tão extenso que se deseja aos prantos arrancar o calo do peito e os espinhos da alma.
Uma pausa que não será reposta, nem acrescentada em dias ou horas a mais à vida. Ou se engata e dá o movimento ou não se dá mais nada.













"Somos nós os únicos responsáveis por nossas escolhas... mesmo quando rodeados de pessoas que amamos, podemos nos sentir profundamente só"




Postado por Su às 5:42 PM

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[Sexta-feira, Março 06, 2009]


♪ Ao som de 'Liah - E nunca mais eu vou deixar você tão só' ♫





"Somos todos escravos de circunstâncias externas"
By: Fernando Pessoa















E com força me faço respirar
exprimindo cada grão de ar
que meu peito suporta.
E é tão comum
que as cicatrizes marquem
com toda a força novamente.
Desassossega a minha alma.














Há momentos em que quando um som se clarifica
outro se escurece,
me fazendo ficar paralisada
em uma estação deserta,
imobilizada em meu corpo sem movimento,
sendo percorrido pela invalidez
que por vezes se habita em meu espírito.
As conversas que se desenrolam
entre os pensamentos
consomem a energia de dias serenos.
E mesmo os dias floridos
se convertem em poços escuros
de água suja e ar úmido.
Paredes fechadas e cobertas de lama
roubam a respiração,
a leveza e a espontaneidade.
É o sufoco de deixar-se sugar por ventos
que desgastam ao tentar se manter firme
para não ser levado...
Ventos que não se deve senti-los tocar o rosto...
É como deitar-se numa lama
e deixar-se sujar o corpo todo.









"O homem que a dor não educou será sempre uma criança"
(N. Tommasco)






Postado por Su às 9:58 AM

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[Terça-feira, Março 03, 2009]




♪ Ao som de 'U2 - Stay' ♫






"TIVE UM SONHO NÍTIDO inexplicável: Sonhei que brincava com o meu reflexo. Mas meu reflexo não estava num espelho, mas refletia uma outra pessoa que não eu"
(Clarice Lispector)















Ocasionalmente me perco de vista, viro e reviro os lugares mais imprecisos e discretos... e nem um sinal.
Uma desconexão comigo mesma, que me faz esquecer de existir e de cultivar o meu sentido mais profundo e aflorado.
Ataco as feridas em sangue, são elas que devoram o meu ser mais vivo, levando-me para as florestas mais escuras e sombrias.
Nessa procura, tento achar um atalho, mas o atalho nem sempre é o caminho mais fácil. Então porque não ir de vez pelo caminho que a seta indica? Mas quem disse que a seta aponta necessariamente para frente ou para o lugar certo? Não me lembro de nenhuma lei que dê veracidade a isso.
E continuo à procura... reviro as gavetas, os sótãos, os porões... nada absolutamente lúcido ou fora de si. Nada totalmente concreto ou abstrato.
Os ventos batem lá fora e me trazem uma informação que não sei decifrar...
Por onde anda? Como posso eventualmente sair de mim mesma?
É atordoante saber que pode estar por aí, nesse ar gelado e sufocante, a ponto de abraçar a si mesma com toda a força.
Me desagrada a fragilidade dos seres e dos sofrimentos psíquicos. Pesa sobre mim esse desagrado, me afunda ao chão, me amarrando às raízes mais fortes.
Não sei em que lugar secreto se esconde, talvez por ficar esperando sentada à porta não encontre.
Nada me parece fazer sentido, mas meu "eu" sempre me disse que não precisa necessariamente fazer.
O ruído das folhas batendo no telhado, faz parecer fantasmas assombrando e dançando ao redor da casa.
Extraio o que há de mais imperfeito e tentador, mas nenhuma pista, nenhum rastro deixado pela terra, por que os ventos já cuidaram de apagar.
Tenho medo que esteja sendo usada, há passagens tão perigosas e cruéis, territórios tão imprevistos e "eus" tão vazios, mas cheios de si.
Pobre eu fico quando me perco, os instantes se prolongam e o céu se torna mais escuro e denso.
Meu espanto é evidente nos olhos, um olhar sem forma, sem sentido, sem cor... e uma face transfigurada.
Sem notícias me estremeço e me assusta a possibilidade de eternamente esperar.
Mas no momento, é só o que me resta... esperar...!!!





***




Postado por Su às 9:53 AM

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Quem Sou?
(deixo a frase da Lya Luft fazer essa descrição)

"(...)mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: Vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher."
(Lya Luft)

***

Eu descobri um baú de infinidades
cheio de cartas, amores, desamores, esperanças, dúvidas...
e outros mil sonhos e desencantos...
Todos os dias abro-o por curiosidade
exceto os dias em que mereço descanso.
Às vezes, quando penso que já não há mais nada
abro novamente
e me deparo com criaturas vivas, cheias de palavras, laços, embaraços inconscientes, espelhos e almas tocantes...
O báu da minha alma
Fonte inesgotável...
Mas o que eu não havia percebido é que,
sem querer,
todos os dias,
coloco coisas novas nele...
Renovo-o!
Agora entendi, o porque da sua infinidade...
repleto de pensamentos e sentimentos...
Uma verdadeira contemplação!
(Suzanne Leal)

***

Tenho certeza que
se um dia
eu puder tocar as estrelas
elas irão
ofuscar de mim
todos os meus medos e angústias
(Suzanne Leal)




FILOSOFIA GESTALT:
'Eu faço minhas coisas, e você faz as suas.
Eu não estou neste mundo para viver as suas expectativas.
Você não está neste mundo para viver as minhas.
Você é você, e eu sou eu,
E, se por acaso, nós nos encontrarmos, será ótimo.
Se não, nada se pode fazer.'

"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu."
(Friedrich Nietzsche)

"A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura"
(Lya Luft)





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"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesma ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda a conquistá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"
(Lou Salomé)

"Tudo é melhor do que a autocompaixão, porque nessas areias movediças quanto mais ficamos mais somos engolidos. É o desperdício da vida que podemos ter e não curtimos, porque a tratamos como prima pobre dos nossos desejos encolhidos na medida da nossa falta de fervor"
(Lya Luft)

§ Tudo que escrevo aqui é inteiramente meu. O que não é, dou os direitos a seus devidos autores §

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